terça-feira, 17 de setembro de 2013

Dívidas: o que fazer para começar a sair delas?

No ano passado, o endividamento dos brasileiros atingiu o seu maior nível na história. As dívidas chegaram a mais de R$ 500 bilhões. Em média, o brasileiro tinha dívidas equivalentes a cinco vezes a sua renda mensal. A situação fica ainda mais grave quando se verifica que boa parte desta dívida está vinculada ao cartão de crédito e/ou cheque especial, que possuem juros “estratosféricos”.

As dívidas aparecem quando gastamos mais do que podemos. Os motivos de sua formação são variados e, em alguns casos, fogem ao planejamento. O problema surge quando criamos dívidas desnecessariamente, por pura falta de planejamento e controle. Quando fazemos isso, o juro composto começa a trabalhar contra, quando o ideal seria termos ele a nosso favor.

Não existe fórmula mágica para se livrar das dívidas, mas algumas atitudes podem ser tomadas para estancá-las e liquidá-las. O ponto de partida é fazer um levantamento do perfil da dívida. Saber o montante total da dívida, quais são os seus credores e quais são os juros que a oneram.

Feito este primeiro levantamento, devemos criar um ranking dos credores, levando em conta os juros cobrados, do maior para o menor, conforme exemplo abaixo:

Com este levantamento em mãos, o próximo passo é procurar os credores para renegociar suas dívidas. A renegociação de dívidas é uma prática comum e possui a vantagem de ser mais rápida e barata que as ações judiciais. Os credores estão dispostos a renegociarem suas dívidas, já que têm o interesse em receber este montante de volta. Para aumentar a probabilidade de se conseguir uma boa negociação, seja sincero e exponha a sua real situação.

Durante as negociações, é possível conseguir a redução dos juros, retirada das multas, honorários advocatícios, taxa de cobrança e/ou dilatação do prazo. As dívidas devem ser renegociadas e liquidadas com a priorização dada pelo ranking acima, começando pela dívida de maior juro.

Se houverem recursos investidos em alguma aplicação financeira, este é o momento certo para resgatá-los e cobrir a totalidade da dívida ou parte dela, já que não faz sentido algum ter um recurso parado rendendo juros muito inferiores aos juros que oneram suas dívidas. Assim, primeiro devemos pagar as dívidas para, depois de totalmente liquidadas, nos organizarmos para gerar poupança. Durante a renegociação, não se esqueça de pedir a retirada do seu nome do SERASA, SPC ou equivalente. Retirar o seu nome destes órgãos permite que você tenha acesso novamente a crédito mais “barato”, estratégia importante na caminhada para sair do vermelho.

Com a renegociação de suas dívidas, o próximo passo é a “troca” de dívidas. Assim, se você tiver algum bem que possa se desfazer para cobrir, pelo menos, as dívidas com maiores juros, não hesite. Por exemplo, no caso acima, se o sujeito tiver um carro quitado, pode se desfazer do mesmo para amortizar suas dívidas, financiando a compra de outro automóvel, caso seja imprescindível ter um automóvel. Essa é uma boa estratégia, já que os juros dos financiamentos de automóveis são menores que os juros das dívidas de empréstimos. Aproveitando a troca do seu automóvel, procure um automóvel que gere menos custos (calcule aqui o quanto custa seu carro).

Se as dívidas estiverem muito altas, ao ponto de serem quase impagáveis, é a hora de pensar em se desfazer de um bem de maior valor, como um imóvel. Venda o imóvel, quite suas dívidas e financie a compra de outro imóvel no prazo mais longo que conseguir, aos menores juros possíveis. Os juros dos financiamentos imobiliários costumam ser menores que os juros que oneram o saldo devedor de suas dívidas.

Se você não possui nenhum bem que possa se desfazer, troque os credores com maiores juros por credores com menores. No exemplo acima, o sujeito poderia verificar a possibilidade de se conseguir mais recursos no crédito consignado para poder amortizar as dívidas junto ao cartão de crédito e/ou cheque especial.

Junto à renegociação das dívidas e o começo de sua amortização têm que haver uma mudança de hábito, readequando seus gastos a sua renda, para que não sejam feitas novas dívidas, desnecessariamente. Pode chegar o momento em que não haverá mais nenhum ativo e restarão apenas os passivos. É a hora de cortar na própria carne, não tem como fugir disto.

Artigo escrito por Gustavo Garcia.