segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Fale conosco: compra de imóvel

Nosso leitor LTS, de Curitiba/PR, encaminhou um estudo de caso em nossa página Fale conosco, sobre a compra de um imóvel, que  apresentamos abaixo. Na sequência.

Pedimos também a ajuda de nossos leitores, pois, ao contrário das ciências exatas, não há resposta certa quando o assunto é investimento. Assim, a participação pode levar a uma melhor avaliação da situação de nosso amigo. 

Gostaria que vocês me ajudassem no meu caso. Comprei um imóvel e, mesmo antes de ficar pronto, consegui quita-lo. Infelizmente eu achei ele muito pequeno e resolvi comprar outro imóvel maior... Com a venda do meu primeiro imóvel, conseguirei cerca de 220 mil reais. Já o novo, custa cerca de 490 mil reais, mais que o dobro.



Na primeira fase, pagarei uma entrada de 150 mil reais, com parcelas fixas e sem juros para a construtora, até o habite-se. Sobrando assim, 340 mil reais para financiar. O habite-se está programado para siar em novembro de 2012.



Como eu tenho aqueles 220 mil, eu gostaria de saber qual o melhor jeito de investir esse dinheiro, para me ajudar a pagar as parcelas do financiamento.


Um abraço a todos! E muito obrigado.

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Caro LTS,

Primeiramente, obrigado pelas palavras elogiosas. Para um site que pretende ajudar as pessoas a lidar com dinheiro, esse é nosso maior pagamento.

Em segundo lugar, parabéns pela aquisição do imóvel, ou melhor, dos imóveis. Não se lamente por ter comprado um imóvel e depois ter se arrependido. É natural que nossos desejos sempre superem nossos recursos e não há mal nenhum nisso.

Entretanto, ao assumir uma dívida, temos que ter certeza que teremos plenas condições que cumprir com nossas obrigações (amortização e juros). Portanto, seu relato é fundamental. Primeiro, você comprou um imóvel dentro das suas possibilidades. Depois de quitado, você partiu para um imóvel maior e melhor.

Como dissemos anteriormente, não existe resposta certa quando o assunto é investimento, mas, certos conceitos financeiros podem ajudar bastante. Você tem o privilégio de saber o valor e a data de pagamento de uma dívida futura (R$ 340 mil em novembro de 2012) e isso ajuda bastante.

Com um prazo relativamente curto como esse (dez meses), podemos relacionar os investimentos que você NÃO deve fazer, devido ao risco elevado. São eles: ações, opções, fundos cambiais, multimercados com renda variável e outros investimentos semelhantes.

Restam os investimentos menos arriscados, porém indicados para alguém com um horizonte de investimento tão curto. São eles: Tesouro Direto, CDB's e Poupança.

O Tesouro Direto oferece uma série de títulos públicos com as mais variadas características (posfixados, prefixados, indexados à inflação etc.). Mas, devido ao curto prazo, a opção recai nas Letras Financeiras do Tesouro (LFT), que variam de acordo com a variação da taxa Selic. Atualmente a taxa Selic está em 11,00% ao ano.

Os CDB's são uma boa opção desde que tomados alguns cuidados. Os CDB's posfixados seguem a rentabilidade dos CDI (que grosso modo tem variação igual à taxa Selic). Geralmente, os bancos oferecem um ágio ou um deságio sobre a Selic. Por exemplo: rentabilidade de igual a 110% do CDI ou uma rentabilidade igual à 90% do CDI. Logo, o investimento em um CDB posfixado só valerá a pena se a rentabilidade for superior a 100% do CDI. Abaixo disso, fique com as LFT (Tesouro Direto).

Já os CDB's prefixados dependem da taxa a ser negociada no momento de sua contratação. Para o período de 10 meses, uma taxa inferior a 7,50% não será satisfatória.

Lembre-se, porém, que o CDB é um título de crédito do banco e sua garantia limita-se a R$ 70 mil, pelo Fundo Garantidor de Crédito. Em outras palavras, se o banco onde você adquiriu um CDB falir, você recupera rapidamente R$ 70 mil. Já o restante...

Tanto as LFT como os CDB, para o período de dez meses, serão tributados em 20% de Imposto de Renda. Ou seja, desconte da rentabilidade projetada para o período 20%, que ficam com o leão.

Já a velha e boa poupança rende 0,50% ao mês, sem o pagamento de impostos. Para 10 meses, os 0,50% ao mês gerarão 5,11%, sem impostos.

Agora é com você. Faça as contas e invista com segurança!

Artigo escrito por Flávio Girão Guimarães.