quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Por que diversificar. Ou: devo colocar todos os ovos na mesma cesta?

Muito se fala da diversificação. A palavrinha soa sofisticada. Impressiona muita gente por aí falar que tem uma carteira diversificada. Mas afinal de contas o que é a tal diversificação e, principalmente, por que ela é tão importante?

Uma carteira de investimentos, ou portfólio, é a reunião de diversos ativos. Tal reunião tem como principal vantagem, a redução do risco de mercado, ou a variabilidade dos retornos. Tal redução é dada pela conjunção de ativos que não estejam expostos aos mesmos fatores de risco.

Por exemplo: suponha que você invista toda sua riqueza em ações da Vale, que é uma grande companhia exportadora de minérios. Caso haja uma valorização do R$ frente ao US$, a Vale receberá, pela mesma quantidade exportada, menos R$. Logo, uma valorização do R$ frente ao US$ reduzirá a receita da Vale e, por conseqüência, reduzirá a cotação de suas ações em bolsa de valores. Resultado: você fica mais pobre.

Já a Petrobras é uma empresa que importa boa parte de sua matéria prima (petróleo bruto leve). No caso específico da Petrobras, uma valorização do R$ frente ao US$ terá efeito inverso ao efeito ocorrido na Vale. Ou seja, pela mesma quantidade importada de petróleo, a Petrobras pagará menos R$. Logo, reduzem-se os custos da empresa e, por conseqüência, aumentam os resultados da petroleira. A cotação das ações da Petrobras na bolsa de valores tende a aumentar. Resultado: você fica mais rico.

Então, para reduzir o risco de seu portfólio, pelo menos o risco cambial, não seria razoável dividir seus investimentos entre as ações da Vale e da Petrobras? Assim, não seria necessário ter sorte para adivinhar se o dólar vai se valorizar ou se desvalorizar. Reduz-se, desta maneira, a possibilidade de escolher a empresa "certa" para se investir, investindo-se um pouco na empresa "certa" e outro tanto na empresa "errada".

Este exemplo simples demonstra o que poderia acontecer com duas empresas por conta de alterações da taxa de câmbio. Mas, além do câmbio, existem inúmeros outros fatores que podem e irão afetar o desempenho econômico das empresas ao longo do tempo e, por conseqüência, afetar suas cotações em bolsa. Ao diversificar seus investimentos, você estará se afastando dos resultados extremos (maiores e menores retornos), obtendo um resultado mediano. Por outro lado, o risco de sua carteira, medido pela variação dos resultados (volatilidade em economês) será certamente reduzido.

Aí está a grande importância da diversificação. A redução do risco. Esta redução será ainda maior na medida em que se acrescentem mais e mais ativos financeiros ao seu portfólio, principalmente ativos que estejam expostos a fatores de risco distintos. Por exemplo: uma carteira que seja constituída por duas siderúrgicas (ou seja, duas empresas expostas aos mesmos fatores de risco) terá risco maior do que uma carteira composta, por exemplo, por uma siderúrgica e uma fabricante de cigarros (ou seja, expostas a fatores de risco distintos).

risco de uma empresa > risco de duas empresas > risco de duas empresas que atuam em setores diferentes e, portanto, expostas a fatores de risco distintos.

Em tempo: Alan Greenspan, chairman do FED de 1987 a 2006, sempre afirmou que era impossível prever a tragetória da taxa de câmbio. Nesse assunto eu concordo plenamente com ele.

Artigo escrito por Flávio Girão Guimarães.