domingo, 3 de março de 2013

Posso perder dinheiro com títulos públicos?


Muitos investidores estão de cabelo em pé nas últimas semanas, quando viram o preço dos títulos públicos adquiridos no Tesouro Direto cair nesse início de 2013. Especialmente o preço dos títulos prefixados (LTN ou NTN-F) e dos títulos indexados ao IPC-A (NTN-B e NTN-B Principal). Tem gente que achava que isso não era sequer possível. Mas, infelizmente, é...

Como expliquei no artigo Tesouro Direto: títulos longos vs. títulos curtos, o preço dos títulos públicos, especialmente os títulos prefixados (LTN ou NTN-F) ou indexados à inflação (NTN-B e NTN-B Principal), varia diariamente de acordo com os juros de mercado. Quando os juros sobem, tal como aconteceu no mês de fevereiro, o preço dos títulos cai. Porém, quando os juros caem, tal como aconteceu ao longo de todo ano de 2012, os preços de tais títulos sobem (e subiram muito).

Isso se deve, basicamente, ao fato do preço dos títulos públicos reflete, hoje, o fluxo futuro de pagamento dos juros pagos (cupons) e do título (na data de seu vencimento), tudo isso descontado pelas taxas de juros de mercado.

Essa alteração dos preços dos títulos no curto prazo deixa muita gente preocupada. Mas, existe uma boa notícia para quem vem enfrentando com essa perda de valor nos títulos: o preço dos títulos públicos é sempre maior na data de seu vencimento. Ou seja, mesmo com alguma oscilação no curto prazo, tais títulos se valorizarão ao longo do tempo. Em resumo: não quer perder com títulos prefixados ou indexados à inflação, independente do prazo, mantenha-os até a data de seu vencimento.

Mas, cada investidor deve decidir se está disposto ou não a enfrentar tais oscilações no curto prazo, muito comum nos títulos mais longos, como expliquei no artigo Tesouro Direto: títulos longos vs. títulos curtos.

Se você não quiser enfrentar nenhuma oscilação negativa na compra de títulos públicos, no curto, médio ou longo prazo, só resta uma solução: compre títulos pós-fixados, ou seja, compre Letras Financeiras do Tesouro (LFT). Mas saiba que o rendimento desses títulos é muito baixa (igual à variação da taxa Selic, que hoje está em 7,25% ao ano).

Bem, a velha máxima em finanças é inescapável: para auferir maiores lucros é necessário se correr maiores riscos.

Como dizem os franceses: C'est la vie (é a vida).

Artigo escrito por Flávio Girão Guimarães.