quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Opções de investimento para aposentadoria

Mais uma pergunta que recebemos em nossa página Fale Conosco, que vale a pena compartilhar.

Oi, 

Alem do Tesouro Direto, no qual já invisto mensalmente, gostaria de saber qual outro meio de investir para uma aposentadoria daqui a 25 anos, de modo conservador. Minha intenção é colocar 500,00 por mês em outro investimento para diversificar.

Obrigada.

Parabéns pelo excelente trabalho realizado no site!



Horizontes de investimento superiores a dez anos são ideais para produtos específicos de previdência, como o Plano Gerador de Benefício Livre (PGBL) e o Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL). Mas, antes de falar dos benefícios de ambos os produtos, vamos diferenciá-los:

O PGBL é voltado para quem utiliza a declaração completa do imposto de renda, pois, os aportes feitos ao PGBL são dedutíveis da sua renda bruta (até o limite de 12%). Os resgates ou benefícios pagos, por sua vez, são tributados integralmente (aportes + rendimentos). Já o VGBL é voltado para quem utiliza a declaração simplificada do imposto de renda, pois, somente os rendimentos estão sujeitos ao imposto de renda.

Agora que já diferenciamos o PGBL do VGBL, vamos falar sobre as características dos produtos que os tornam ideais para o longo prazo:

O imposto de renda só é cobrado no momento dos resgates ou no pagamento de benefícios. Outros investimentos, como os fundos de investimento de renda fixa, pagam imposto de renda semestralmente, em um mecanismo conhecido como come-cotas.

No momento da aquisição do PGBL ou VGBL, você pode escolher livremente o modelo de tributação. Os modelos disponíveis são o progressivo e o regressivo.

No modelo progressivo, os valores recebidos do seu PGBL ou VGBL (resgates ou benefícios) são acrescidos à sua renda e, a depender da renda somada, você pagará de 0% a 27,5% de imposto de renda.

Já no modelo regressivo, a alíquota de imposto de renda depende do prazo de permanência no plano. As alíquotas do modelo regressivo são as seguintes: 
  • 35% para resgates realizados antes de 2 anos de permanência;
  • 30% para resgates realizados entre 2 e 4 anos de permanência;
  • 25% para resgates realizados entre 4 e 6 anos de permanência;
  • 20% para resgates realizados entre 6 e 8 anos de permanência;
  • 15% para resgates realizados entre 8 e 10 anos de permanência;
  • 10% para resgates realizados após 10 anos de permanência.


Nesse caso, o imposto de renda é calculado individualmente, para cada aporte, separadamente.

Você pode escolher o nível de risco do seu plano. Há desde PGBLs e VGBLs conservadores, que aplicam 100% em títulos públicos federais até PGBLs e VGBLs que aplicam em crédito privado e ações. Além disso, caso você não fique satisfeito com seu plano, pode trocar facilmente através de uma portabilidade. 

Se você permite uma sugestão, procure um planos do tipo "Ciclo de Vida", que tem uma data-alvo para a aposentadoria. Tais planos funcionam da seguinte forma: eles iniciam com uma carteira mais arriscada, com renda variável, títulos longos de renda fixa, crédito privado e, na medida em que a data-alvo se aproxima, os investimentos são paulatinamente substituídos por outros mais conservadores. Como você citou um prazo de 25 anos, procure planos com a data-alvo em 2040.

Por fim, o PGBL e VGBL não entram em inventários e tampouco estão sujeitos ao Imposto de Transmissão Causa Mortis.

Agora que falamos as coisas boas, preste atenção às armadilhas: os PGBL e VGBL podem cobrar até três taxas distintas: taxa de carregamento nos aportes, taxa de carregamento nos resgates e taxa de administração. Procure planos com a menor taxa de administração possível, pois, quanto maior a taxa de administração, menor a rentabilidade do seu investimento. Cuidado também com as abomináveis taxas de carregamento. Com um pouco de trabalho, você consegue encontrar planos sem essa taxa hedionda.

Espero ter ajudado.

Artigo escrito por Flávio Girão Guimarães.