quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Aluguel de ações - Parte 3

Já falamos como o investidor de longo prazo pode ganhar uma receita extra com o aluguel de ações no artigo Aluguel de ações - parte 2. Agora vamos explicar como o investidor de curto prazo se beneficia com tais operações.

Como explicamos no artigo Aluguel de ações - parte 1, a operação de aluguel envolve três partes. um doador, que empresta suas ações por um tempo limitado, em troca de uma remuneração, um tomador, que aluga os papéis por tempo limitado, pagando uma taxa ao doador, e uma contraparte central, responsável por juntar doadores e tomadores, bem como responsável pelo registro e liquidação das operações.


O tomador de uma ação em geral é o investidor de curto prazo, que tem uma expectativa negativa em relação ao mercado ou em relação a uma empresa específica. Ou seja, o tomador crê que o mercado como um todo sofrerá uma queda, ou então que a cotação de uma empresa específica pode cair no curto prazo. Se isso ocorrer, sua operação será bem sucedida. Vejamos um exemplo, passo-a-passo:

Suponha que a cotação das ações ordinárias da Petrobrás (PETR3) são negociadas hoje por R$ 20,00. Suponha, ainda, que é possível alugar tais papéis por uma taxa de 12,68% ao ano (equivalente a 1% ao mês, só para facilitar os cálculos).

Um investidor de curto prazo que acredita na queda das ações da Petrobrás poderia então alugar 1.000 PETR3 e vendê-las pelo preço de mercado (R$ 20,00 no nosso exemplo), obtendo com a operação R$ 20.000,00.

Caso o nosso investidor tenha razão e o preço das ações da Petrobrás sofra uma queda (suponha que no final do mês as cotação de PETR3 seja igual a R$ 17,50), será possível recomprar as 1.000 ações ordinárias da Petrobrás por R$ 17.500,00 (1.000 X R$ 17,50).

Ao liquidar o empréstimo de ações, com a devolução das 1.000 PETR3, nosso investidor desembolsará R$ 200,00 (1.000 X R$ 20,00 X 1%). O resultado da operação de empréstimo será de R$ 2.300,00 (R$ 20.000 - R$ 17.500,00 - R$ 200,00). Nada mal, para quem entrou na operação com pouco ou nenhum recurso. Operações como essa são conhecidas como alavancadas, onde um comprometimento financeiro pequeno no início da operação pode gerar ganhos (e perdas) elevadas.

Faz-se necessário alertar que tais operações alavancadas tem um risco elevado, pois om tomador de ações perderá uma soma razoável de dinheiro caso o preço das ações subam, ao invés de cair. Utilizando o nosso próprio exemplo, suponha que no fim do mês ao invés de cair para R$ 17,50, as ações ordinárias da Petrobrás subam para R$ 22,50. Neste caso, o investidor será obrigado a desembolsar R$ 22.500,00 para recomprar as 1.000 ações e terá que pagar os mesmos R$ 200,00 pelo aluguel. Ou seja, seu prejuízo será igual a R$ 2.700,00 (R$ 20.000,00 - R$ 22.500,00 - R$ 200,00).

Com esse artigo, encerramos a série sobre o aluguel de ações. Caso você tenha interesse em reler os demais artigos da série, utilize os links abaixo:


Artigo escrito por Flávio Girão Guimarães.