quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Tributação de Investimentos - Introdução


Poucos investidores se preocupam com a tributação de seus investimentos. Porém, a multiplicidade de critérios tributários e alíquotas certamente irá alterar o resultado líquido de suas aplicações. E, no final das contas, o que interessa ao investidor é o resultado líquido, o “dinheiro no bolso”.

Para lançar luz em um tema tão complexo, iremos apresentar uma série de artigos, apresentando e exemplificando as regras aplicáveis a cada um dos vários investimentos disponíveis no mercado brasileiro, sejam instrumentos financeiros ou não.

Apenas para ilustrar essa variedade e complexidade, vejamos o seguinte exemplo:

Suponha um investidor que aplicou R$ 60 mil distribuídos da seguinte forma:

Ativo
Saldo Bruto Inicial
Poupança
20.000
Ações
20.000
Fundo Di
20.000

Após 10 meses, os investimentos somaram:

Ativo
Saldo Bruto Inicial
Saldo Bruto Final
Rentab. Bruta
Poupança
20.000
21.000
5,00%
Ações
20.000
21.100
5,50%
Fundo Di
20.000
21.200
6,00%

Ou seja, os melhores investimentos aparentemente são, em ordem: Fundo Di (rentabilidade bruta de 6,00%), Ações (rentabilidade bruta de 5,50%) e Poupança (rentabilidade bruta de 5,00%).

Nosso investidor, então, solicita o resgate integral de todos seus investimentos e, neste momento, é retido o Imposto de Renda (IR), cobrado sobre o ganho de capital (saldo bruto menos o valor investido). Abaixo, apresentamos o resultado do resgate, após o recolhimento do IR:

Ativos
Saldo Bruto Inicial
Saldo Bruto Final
Rentab. Bruta
Ganho De Capital
IR Alíquota
IR - R$
Saldo Líquido Final
Rentab. Líquida
Poupança
20.000
21.000
5,00%
1.000
0,00%
-
21.000
5,00%
Ações
20.000
21.100
5,50%
1.100
15,00%
- 165
20.935
4,68%
Fundo Di
20.000
21.200
6,00%
1.200
22,50%
- 270
20.930
4,65%

Ou seja, após o recolhimento do imposto há uma inversão na ordem de rentabilidade dos investimentos. A poupança, que é isenta de IR, mantém os 6,00% de rentabilidade e passa a ser o melhor investimento. Já o fundo Di, antes considerado o melhor investimento, passa a acumular 4,65% de rentabilidade líquida e, desta forma, passa a ser o pior investimento. Já as ações ficam em uma posição intermediária, com rentabilidade de 4,68%.

Em um simples exemplo vimos três regras distintas de cálculo e recolhimento do IR. Há inúmeras outras no mercado brasileiro! Então, aguarde os próximos artigos, onde apresentaremos as regras de IR aplicáveis aos imóveis, Tesouro Direto, fundos de investimento, planos de previdência, ações e opções etc.