quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Orçamento doméstico - para que serve?

Aqui no ABC do Dinheiro falamos muito sobre investimentos, previdência, seguros e tributação. Entretanto, muitos leitores reclamam (com razão) que de nada adianta tanta informação se, no final do mês, nada sobra para investir, poupar, segurar ou tributar. O que fazer então se falta dinheiro ao invés de sobrar?

Primeiramente, temos que fazer o dinheiro sobrar para, só então, decidir o que fazer com ele. O ponto de partida invariavelmente é montar um orçamento doméstico familiar. Sem um orçamento é praticamente impossível saber quanto custa seu padrão de vida atual e onde é possível cortar despesas. A fórmula básica para montar um orçamento doméstico é:

  1. inicie seu orçamento somando todas as suas fontes de renda, tais como salários, participações societárias, pensões, aposentadorias, aluguéis etc;
  2. depois, relacione as prestações dos empréstimos e financiamentos que você possui, seja com um banco, com a administradora do cartão de crédito, financeiras, empresas de leasing, administradoras de consórcios, lojas de departamento etc.
  3. na sequencia, relacione suas despesas fixas ou de difícil administração (pensão alimentícia, salários com empregadas domésticas, água, luz, plano de saúde, escola dos filhos, gastos com automóveis etc.);
  4. por fim, relacione as despesas que podem ser administradas com alguma facilidade (tv por assinatura, jornais e revistas, telefone, roupa, cartão de crédito, restaurante, cafezinho etc.); 
  5. para avaliar o resultado final, basta subtrair do total de suas rendas (item 1) o total das suas despesas (itens 2, 3 e 4).
Para melhor estimar seus gastos (itens 2, 3 e 4), sugerimos que o leitor utilize os seguintes procedimentos:

  1. utilize faturas recentes do cartão de crédito, contas recentes de luz, água, telefone, tv por assinatura, bem como boletos de cobrança de escola, extratos bancários etc. Em resumo, todo e qualquer documento de cobrança recente; e
  2. para as despesas do dia-a-dia, geralmente pagas com dinheiro, é necessário anotar rigorosamente todos os gastos. Para tanto, sempre tenha a mão uma caderneta ou, para os mais moderninhos, utilize um programa de anotações no smartphone. Para as despesas no cartão de débito, o extrato bancário será suficiente*.

O resultado de todo trabalho acima pode ser frustrante. Ao montar o primeiro orçamento, muita gente se dá conta que há pouca sobra de recursos, ou então o orçamento já mostra um déficit. Porém, antes que você se jogue da ponte, ou pule na frente do trem, saiba que a falta de dinheiro é algo muito comum. O brasileiro médio tem uma tendência natural de gastar, não de poupar. Deve ser o clima, sei lá. Mas sempre é possível mudar essa situação. Como?

  1. a forma mais rápida (e difícil) de aumentar seu fluxo de caixa é aumentar sua renda, seja através de uma promoção, seja através da mudança de emprego, seja através de um segundo emprego, seja através do aumento de horas trabalhadas, especialmente para quem ganha através de comissão ou para os profissionais liberais. Como eu disse antes, é a forma mais rápida de aumentar o fluxo de caixa, mas a mais difícil;
  2. na sequencia, gerencie suas dívidas com bancos, financeiras, administradoras de cartão de crédito e afins. Para tanto, sugerimos a leitura do artigo Dívidas: o que fazer para começar a sair delas?, de autoria de Gustavo Garcia, publicado aqui mesmo no blog;
  3. depois, com a tesoura na mão, avalie a redução/eliminação dos gastos que podem ser administrados com alguma facilidade. Troque o plano da sua TV por assinatura (ou elimine-o), altere o plano de seu telefone celular por um menos oneroso, troque a roupa de marca por outra de menor prestígio, corte o cafezinho depois do almoço, reduza ou elimine as assinaturas de jornais e revistas e as saídas para jantar fora;
  4. se ainda assim seu orçamento continua apertado, é chegada a hora de medidas drásticas. Uma alternativa para quem contrata os serviços de uma empregada doméstica é o uso de diaristas, mesmo que isso implique em assumir algumas tarefas domésticas;
  5. troque as idas de carro ao trabalho por caronas ou pelo transporte coletivo. Assim será possível economizar em combustível, estacionamento, manutenção etc. No limite, venda o automóvel. Assim, além do combustível, estacionamento e manutenção, você economizará no seguro, IPVA, DPVAT, licenciamento anual do Detran, inspeção veicular etc;
  6. continua apertado? controle rigorosamente os gastos com água e energia-elétrica. Chuveiro elétrico, ferro de passar roupa, ar-condicionado, entre outros eletrodomésticos, devem ter seu uso racionalizado;
  7. como penúltima alternativa para equilibrar o orçamento, troque a escola dos seus filhos por outra que cobre mensalidades menores. No limite, utilize a rede pública de ensino. Trocar a escola que fica a 10 km de distância por outra que fica a poucas quadras de onde você mora também é algo inteligente. Assim você pode economizar com o transporte escolar ou com o combustível para levar os filhos ao colégio;
  8.  como última e derradeira alternativa, pesquise opções menos onerosas de planos de saúde. Eu até poderia recomendar que você cortasse o plano de saúde, mas com a saúde pública no estado deplorável em que se encontra, seria uma medida de desespero.
Para quem quiser ler mais sobre o assunto, existem muitos livros e artigos na internet que trazem dicas de como melhorar sua situação financeira e seu orçamento doméstico, inclusive vários postados aqui mesmo no ABC do Dinheiro:
Artigo escrito por Flávio Girão Guimarães.

* é possível encontrar na internet ou ou na loja de aplicativos do seu smartphone uma infinidade de programas e aplicativos que auxiliam na tarefa de construir/controlar o orçamento pessoal. Muitos bancos brasileiros inclusive sugerem alguns deles.